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6 de Junho de 2020

Os desafios da geração millennials para empreender na advocacia

Como motivar essa geração a empreender em 2019

Marina S Souza, Advogado
Publicado por Marina S Souza
ano passado

Olá, Jusbrasileiros millennials!

Hoje quero falar de (e com) vocês!

Podemos chamar de millennials, ou de Geração Y, aquelas pessoas que nasceram durante um período de radicais mudanças tecnológicas, relativa prosperidade econômica, normalmente em ambientes urbanizados, a partir do final dos anos 80 e início dos anos 90 (importante ressaltar os períodos podem variar bastante a depender do país).

Extremamente expostos a novas informações e sobrecarregados de expectativas, a geração y é formada por pessoas que tem ambições de sucesso econômico e prestígio social imediatos, querem se sentir completamente felizes e realizadas na profissão escolhida e geralmente tem dificuldades de reconhecer suas conquistas como boas o suficientes.

Com pais e avós que vieram de situações muito mais desafiadoras e conseguiram sucesso econômico, os millennials sentem que, diante das oportunidades apresentadas, tem um desempenho muito inferior ao esperado socialmente e costumam ter muita dificuldade de lidar com essa frustração.

Acusados de formar a "geração me me me" (termo que acho inadequado e pouco construtivo), os millennials tem desafios como buscar propósito naquilo que fazem e obter sucesso econômico compatível com suas expectativas e investimentos feitos (geralmente nunca sentem que atingiram esses objetivos, reclamam constantemente disso e talvez a acusação de "geração me me me" tenha surgido daí).

Por me considerar um exemplar dessa geração, tenho concluído que isso só é possível com tempo, resiliência e um um pouco de humildade para escolher esse tal propósito que tanto procuramos. Além disso, recentemente li uma frase bastante inspiradora:

“Garanta que você esteja resolvendo um problema grande o suficiente, que doa a muita gente.”

Essa frase foi dita por Cristina Junqueira, cofundadora da Nubank, antecedida por uma afirmação ainda mais provocativa:

"Muita gente fala de hobby e paixão na hora de empreender. Mas, who cares[quem se importa] com suas paixões? Garanta que você esteja resolvendo um problema grande o suficiente, que doa a muita gente."

Para quem estava dando uma voltinha em outros planetas e ainda não conhece a Nubank, trata-se de uma fintech(termo utilizado para denominar empresas que implementam as inovações oriundas da tecnologia no mundo financeiro), fundada e sediada no Brasil, com mais de um milhão de clientes.

Diante dos tantos problemas que o Brasil enfrenta hoje pensar em pessoas como a Cristina pode ser bastante inspirador. Diferente da frase de Cristina Junqueira, acho que deve existir certo grau de paixão, ou pelo menos de interesse pelo que você faz.

Embora não concorde inteiramente com a frase dela, devo dizer que em matéria de empreender, e em matéria de millennials, nunca li algo que fizesse tanto sentido, ainda que doa. E como aplicar isso a minha, a sua, a nossa vida jusbrasileiro da geração y?

Eu diria, de cara que, sendo o direito um saber-poder que nos permite contribuir e muito com a sociedade, estamos em um campo muito fértil. Então, qual o problema que dói em muita gente que nós devemos nos propor a resolver em 2019 e nos anos subsequentes?

As faculdades de direito há muito não são formadas por filhos de advogados, juízes, promotores ou de pessoas bem estabelecidas no ramo, o que facilitava muito a inserção nesse universo para recém-formados, mas sim, por brasileiros de todos os tipos de famílias, visões de mundo e classes sociais. Assim, obter sucesso nesse mercado pode ser muito desafiador, mas uma vez obtido, pode ser revolucionário.

Somos nós que podemos dar ao direito uma nova cara. O direito ainda é um ramo de atuação muito conservador e todos que atuam na área são convidados a, de alguma forma, lidar com esse modelo bastante tradicional que se reflete no vestir, no falar, no agir e - infelizmente - no empreender. Os desafios virão, mas temos toda a capacidade e novas ferramentas para vencê-los.

A tecnologia veio para auxiliar todas essas novas cabeças, veio conectar e democratizar. Jusbrasil, Dr. Consulta, Bancos Digitais, aplicativos para praticamente tudo na vida são ferramentas para demonstrar que o mundo pode continuar velho, mas tecnologia abriu uma janela para o novo.

É possível recriar seu nicho de atuação, sua rede de contatos e parcerias, graças a expansão das possibilidades de comunicação e conexão que a tecnologia proporciona. Com algum grau de resiliência, entendendo que existe um tempo para o sucesso e a consolidação no mercado de trabalho chegar, a realização virá.

A Cristina Junqueira incorpora um discurso moderno e diversificado, típico da nossa geração, acompanhada da firmeza, atitude e convicção típica de um baby boomer. Um temperamento capaz de, junto com seus sócios, a fazer enfrentar uma das maiores forças que conhecemos na atualidade: as instituições financeiras.

Isso me inspira a buscar empreender e lutar para reinventar a estrutura conservadora do direito, trazendo à tona a cara que penso que o direito deve ter.

2 Comentários

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Minha nossa, obrigada por esse texto... Estava precisando ler algo assim para tentar recolocar algumas ideias pessoais nos trilhos. continuar lendo

Que bom! Fico feliz por contribuir de alguma forma! continuar lendo